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Pesquisadores do NUMA, França e Colômbia realizaram expedição científica no Baixo Tocantins

Publicado: Segunda, 20 Dezembro 2021 13:41 | Acessos: 352

 

Pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Pará, da Colômbia e da França realizaram de 10 a 12 de dezembro uma expedição científica no Baixo Tocantins para conhecer as múltiplas formas de uso e aproveitamento de recursos naturais locais.

A expedição, coordenada pelo professor Aquiles Simões, foi resultante de um curso Apropriação e Uso dos Recursos Naturais na Amazônia iniciado no dia 6/12, culminando em um seminário Internacional no dia 09/12 ambos coordenados pelo prof. Otávio do Canto. As atividades fazem parte do PREFALC que objetiva fortalecer e estudar a gestão de recursos naturais e preservação da Amazônia brasileira e costa colombiana, além de ampliar a parceria entre as universidades de Le Mans, representada pelo Prof. François Laurent; Corporación Universidad de la Costa, representada pela Profa. Celene Milanés Batista e Universidade Federal do Pará representada pelo Prof. Aquiles Simões do Núcleo de Meio Ambiente da UFPA. Beatriz Aviz, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia (PPGEDAM) também participou da expedição juntamente com Maria da Graças da Silva Pereira, articuladora de campo.

No primeiro dia de expedição o grupo visitou a Cooperativa de Fruticultores de Abaetetuba (COFRUTA) onde existem cerca de 130 agricultores associados. A COFRUTA faz a gestão de uma unidade industrial de processamento de frutas e sementes oriundas de diversos territórios do Brasil. A produção atende a mercados locais, nacionais e internacionais colaborando para o desenvolvimento econômico dos agricultores. A transformação dos produtos brutos em polpas ou óleos permite aumentar a renda dos produtores, acessar outros mercados, particularmente dos cosméticos, e ter mais autonomia frente a atravessadores.

Pela tarde, o grupo visitou a Comunidade Campopema, ilha de Abaetetuba, onde puderam conhecer os saberes e técnicas relacionadas à construção de embarcações, principal meio de transporte dos moradores das ilhas da cidade. Nessa mesma localidade, os pesquisadores observaram aspectos de gestão coletiva muito forte, principalmente, relacionadas ao fornecimento de energia elétrica da comunidade. Mas em outras áreas, como processos de associativos para o escoamento da produção de açaí, ainda carecem de uma articulação comunitária maior. Os pesquisadores observaram que os laços de parentesco e de confiança são fundamentais para o fortalecimento e continuidade da gestão coletiva. Professora Celene Batista aponta que “a socialização dos principais problemas dos moradores permitiu recomendar às comunidades a necessidade de estabelecerem um processo de organização por meio da criação de cooperativas para a gestão sustentável de seus produtos agrícolas, aumento de suas receitas e vendas a entidades como a COFRUTA sem intermediários” 

No dia 11, o grupo seguiu para a Comunidade Tauerá, onde puderam conhecer inovações e técnicas de apanhar e debulhar o açaí utilizadas na comunidade além da técnica da pesca do camarão. Depois seguiram para a Comunidade Quilombola de Acaraqui onde puderam conhecer as características ambientais diferenciadas dentro de um mesmo ecossistema, desde o ihangal, que protege as margens dos rios, igapó, várzea e terra firme, neste último o sr. Jorge, lavrador, mostrou o passo a passo para a produção de farinha. 

O último dia de expedição foi marcado pela vivência na Morada Cabana, localizada no Baixo Acará, que desenvolve experiência agroecológica baseada na agricultura sintrópica. A agricultura sintrópica tem uma abordagem técnica e espiritual da relação com a natureza e seus recursos. A Morada Cabana, liderada pelo agricultor Luciney Vieira, tem um sistema agroflorestal com alta biodiversidade, com mais de 50 espécies de árvores frutíferas e oleaginosas cultivadas em 4 hectares que se tornou altamente produtivo em 5 anos. Os solos estão sendo restaurados gradativamente. A principal dificuldade encontrada pelo produtor é a venda dos produtos no mercado devido à instabilidade das demandas dos grupos de consumo e o isolamento geográfico. 

Avaliação da expedição - Professora Celene Batista avalia de forma valorosa a expedição, "o diálogo de saberes comunitários permite uma reconstituição sócio territorial das vulnerabilidades sociais e sobre as realidades socioeconómicas, políticas e culturais presentes nas 72 ilhas da região.” Ela acrescenta que a “expedição teve muito sucesso e permitiu aos pesquisadores obterem também material gráfico e audiovisual necessários à elaboração dos cursos virtuais que serão ministrados nas 3 universidades que fazem parte do projeto PREFALC.”

Professor François Laurent ressalta que “as visitas permitiram identificar melhor como as comunidades ribeirinhas se adaptam à onipresença da água. Tiram dela vários recursos: peixes, caranguejos, camarões, açaí que empurra os pés na água. Os moradores viajam de barco para levar seus produtos à cidade, fornecer bens, equipamentos e usufruir dos serviços públicos. Assim, vivem ao ritmo das águas, neste ambiente estuarino”. Sobre o aspecto adaptativo das comunidades visitadas o professor aponta, “esta sociedade, aparentemente com um modo de vida tradicional, está de fato em constante evolução, sobretudo nas relações que estabelece com o seu meio, devido às adaptações ao mercado, ao desenvolvimento tecnológico e às aspirações de usufruir de uma certa modernidade. Assim, quando o açaí passou de alimento básico das populações amazônicas a um produto muito mais valorizado pelo seu consumo no resto do país e no exterior, as florestas com alta biodiversidade foram "limpadas" para produzir apenas o açaí, causando problemas como a erosão das margens, a queda de árvores menos protegidas e o declínio de produtividade a longo prazo. Desde então, os métodos de gestão evoluíram para cortes mais seletivos”. François Laurent, alerta sobre a preocupação apontada pelos moradores das ilhas, “os ribeirinhos estão preocupados com a chegada de indústrias e grandes infraestruturas em seu ambiente. O projeto do porto de grãos da Cargill constitui uma ameaça para eles, ao degradar o ambiente estuarino, ao privá-los de pesqueiros e ao gerar uma separação entre aqueles que esperam se beneficiar da atividade do porto e aqueles que temem a perda de recursos.”

As próximas atividades relacionadas ao convênio são: desenvolvimento de cursos semelhantes ao realizado nessa jornada de trabalho sobre gestão integral dos recursos naturais a ser desenvolvido na Universidad de la Costa (CUC) em Barranquilla, Colômbia, e as visitas de professores do CUC e da UFPA à universidade de Le mans. Os registros audiovisuais realizados durante as visitam serão utilizados para a realização de recursos pedagógicos.

Além do PREFALC, a expedição contou com o apoio da Pró-Reitoria de Relações Internacionais (PROINTER/UFPA), do Programa de Pós-Graduação e Gestão dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia (PPGEDAM), Grupo de Estudos Diversidade Socioagroambiental na Amazônia (GEDAF) e Grupo de Pesquisa Sociedade e Ambiente das Amazônias (GPSA-Amazônias).

Imagem e texto – Assessoria NUMA

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