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O Chalé de Ferro da UFPA

Publicado: Domingo, 29 Outubro 2017 00:00 | Acessos: 2428

Inaugurado em 11 de Janeiro de 1992, o Chalé de ferro é de origem belga e é o mais expressivo representante no Brasil do sistema construtivo Danly e do modelo de bangalô anglo-indiano, é o único com dois pavimentos totalmente em ferro.

Não se conhece com precisão as circunstâncias de sua aquisição. Sabe-se com segurança, porém que ele chegou a Belém não antes de 1890 e que já se encontrava montado em 1893, ano em que foi colocado à venda.

Foto do chalé em sua antiga instalaçãoO chalé serviu de residência à família do Senador Álvaro Adolfo, tendo sido alugado a UFPA entre 1963 e 1972, período em que sediou inicialmente o curso de arquitetura e depois, o serviço de Atividades Musicais. Posteriormente passou a ser propriedade do clube Monte Líbano, que em 1981 o repassou ao arquiteto Euler Arruda, em contrapartida à elaboração de um novo projeto para a sede social do clube.

O arquiteto, também professor da UFPA, num gesto de grande desprendimento e de amor à instituição, doou o chalé à UFPA que providenciou sua desmontagem e seu transporte para remontagem no Campus Universitário.

A responsabilidade técnica pelos trabalhos de desmontagem, restauração e remontagem foi assumida pela Arquiteta Maria Beatriz Manescy Faria, da Prefeitura do Campus Universitário da UFPA, que coordenou a equipe formada de professores, arquitetos, engenheiros, desenhistas e estudantes de arquitetura da UFPA, durante todo o trabalho. Desde o início do projeto até o seu final foi fundamental a orientação prestada pelo Prof. Geraldo Gomes da Silva, da Universidade Federal de Pernambuco e expert internacionalmente respeitado em Arquitetura do Ferro, o qual, mais do que um consultor, tornou-se um apaixonado pelo projeto.

Foto do chalé em sua antiga instalaçãoA desmontagem foi precedida de um levantamento métrico e fotográfico de todo o edifício, providência essencial para viabilizar sua remontagem posterior. Todas as três mil peças que compõem o chalé foram devidamente identificadas através de um código especialmente criado para tal fim. Após isso, foram etiquetadas e separadas em lotes homogêneos e guardadas no laboratório de Hidráulica, do Centro Tecnológico da UFPA.

As ações de remontagem iniciaram em ritmo lento, em conseqüência da falta de recursos financeiros específicos para o projeto. Em 1985, com recursos repassados pela extinta Fundação Nacional Pró-Memória, executou-se a base de concreto armado sobre a qual se elevaria o chalé.

Mais tarde, já em 1988, com recursos financeiros destinados ao projeto pela Companhia Vale do Rio Doce, foram executados os serviços de limpeza e pintura primária das peças que se encontravam em bom estado, bem como a recuperação das que necessitavam de reparos e a confecção de outras novas para substituir as irrecuperáveis.

Visão aérea do chalé na UFPA (antiga)Finalmente, em 1991, com recursos alocados pelo Ministério da Educação para implantação do Núcleo de Meio Ambiente da UFPA, teve início a remontagem do edifício.

Na remontagem do Chalé foram rigorosamente preservadas suas características originais. Assim, toda a sua estrutura portante e de coberta é constituída de ferro, assim, como o telhado. O assoalho do pavimento superior, os forros, as portas e as janelas são em madeira.

Em 1981, quando a UFPA recebeu o prédio, ele continha alguns acréscimos em concreto, introduzidos posteriormente à sua montagem original. Tais acréscimos foram retirados na atual montagem, resgatando-se, assim, o projeto original.

A única modificação acrescida na atual remontagem foi a construção de dois compartimentos para sanitários, que ocupam um pequeno espaço na sala maior do pavimento térreo. Estes compartimentos não existiam no projeto original, de vez que edifícios dessa natureza possuíam edículas separadas do corpo principal, com essa finalidade. Os atuais sanitários foram projetados e construídos com material totalmente diferente dos utilizados originalmente no edifício, pois se pretende evidenciar a contemporaneidade da intervenção.

As cores originais do chalé não são conhecidas, mas isso não era um elemento essencial de sua caracterização.

Atualmente, o NUMA está desenvolvendo suas atividades administrativas em dois prédios novos, construídos ao lado do Chalé de Ferro, inaugurado em outubro de 2012.

 

Veja mais:

Histórico do NUMA

Pesquisas com meio ambiente ganham um Núcleo de integração (Jornal Beira do Rio, fev./1992)

Chalé de ferro remontado na UFPA (Jornal Beira do Rio, fev./1992)

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